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Biossegurança Hospitalar no Manejo de Pacientes

Inicialmente, é preciso entender a importância da biossegurança hospitalar e como pôr em prática tais condutas após uma relevante reflexão. Afinal, se não houver o entendimento do “porque” jamais teremos a compreensão do todo e de suas consequências em nossa rotina de trabalho.

Leia abaixo a definição sobre biossegurança de acordo com o Manual de Biossegurança em Saúde: Prioridades e Estratégias de Ação elaborado pelo Ministério da Saúde do Brasil.

“A biossegurança compreende um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, mitigar ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam interferir ou comprometer a qualidade de vida, a saúde humana e o meio ambiente. Desta forma, a biossegurança caracteriza-se como estratégica e essencial para a pesquisa e o desenvolvimento sustentável sendo de fundamental importância para avaliar e prevenir os possíveis efeitos adversos de novas tecnologias à saúde.” (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010. 15 p).

biossegurança hospitalar

Conforme visto na imagem acima, todos os dispositivos ou itens que entram em contato com o paciente / cliente ficam contaminados. Inclusive, todos os profissionais de saúde e pessoas que entrarem em contato com o mesmo sem utilizar as proteções necessárias. Como não conseguimos visualizar a olho nu os germes patogênicos é de vital importância redobrar a atenção no momento da assistência e cuidados.


  • Diferença entre Colonização, Contaminação e Infecção

Mas, afinal, qual a diferença entre Colonização, Contaminação e Infecção? Basicamente, são palavras diferentes mas que relacionam-se em torno da transmissão de germes patogênicos entre seres vivos, o meio ambiente e vice-versa.

Colonização:

É o processo onde há dependência metabólica com o hospedeiro e a formação de colônias, mas não o suficiente para produzir sinais e sintomatologia clínica ou imunológica. Resumindo, você pode está colonizado por bactérias patogênicas e não desenvolver a doença.

Contaminação:

É o processo onde ocorre o contato de micro-organismos no epitélio, ou mucosas, sem haver penetração tecidual, reação fisiológica e dependência metabólica com o hospedeiro. Por exemplo: Tocar um paciente, ou os dispositivos conectados à ele, sem utilizar luvas de procedimento irá contaminar o profissional de saúde.

Infecção:

Quando ocorre a proliferação das colônias dos germes patogênicos gerando uma interação metabólica, reação inflamatória e imunológica. Em outras palavras, um profissional de saúde que não utilizou os EPIs da forma  adequada contaminou-se ao prestar assistência ao paciente. Posteriormente, após estar colonizado pelos germes patogênicos, desenvolveu uma resposta inflamatória e reação imunológica à proliferação das colônias. Desta forma, evidencia-se o surgimento dos sinais e sintomatologias da doença.

Por isso, devemos sempre evitar a contaminação, ficar atento aos sinais e sintomas quando houver a colonização e tratar da maneira aquedada quando há infecção. A partir deste pressuposto, iniciaremos nossa reflexão abordando sobre os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Através dos seguintes tópicos: Quais são seus objetivos, O uso correto, O descarte adequado e O momento certo para utilizar cada um deles.


  • Biossegurança Hospitalar: Para Que Utilizar Equipamentos de Proteção Individual?

Deve ser utilizado para a proteção contra os riscos capazes de ameaçar a sua segurança, integridade física e/ou a sua saúde. Os Equipamentos de Proteção Individual também são chamados abreviadamente de EPIs, correspondendo à todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador para garantir a sua proteção. Os deveres e as obrigações estão descritos na NR-6 do Ministério do Trabalho.

O uso de EPIs é obrigatório sempre quando não for possível tomar medidas que permitam eliminar os riscos do ambiente em que se desenvolve a atividade. Ou, quando as medidas de proteção coletiva não forem viáveis, eficientes e suficientes para a atenuação dos riscos e não oferecerem completa proteção contra os riscos de acidentes e/ou de doenças profissionais e do trabalho.


  • Biossegurança Hospitalar: Usando os EPIs da Maneira Correta

O fornecimento de EPIs é de obrigação do EMPREGADOR. No caso da área da saúde, os hospitais e clinicas são obrigados a fornecer os EPIs adequados para o desenvolvimento das atividades pertinentes dentro do seu estabelecimento.

Além de fornecer gratuitamente os equipamentos, é função do empregador orientar sobre o uso correto, descarte e fiscalizar o seu uso durante as atividades laborais. Confira o vídeo abaixo sobre os principais EPIs utilizados no ambiente hospitalar.


  • Biossegurança Hospitalar: Como Remover e Descartar os EPIs

A sequência para colocar e retirar os EPIs da maneira adequada faz toda a diferença para evitar a contaminação do profissional de saúde.  A seguir, confira o vídeo que ensina a sequência correta para uso do Jaleco, Máscara de Procedimento, Óculos de proteção e Luvas não-estéreis.


  • Biossegurança Hospitalar: O Momento Adequado para Utilizar os diversos tipos de EPIs

Sempre quando houver o risco de contaminação eminente independente da fonte biológica, física ou química. Exemplo, respingos de sangue, troca de selo d´água, punção venosa, procedimentos invasivos, banho no leito, aspiração traqueal, nasal e oral, administrar medicações independente da via, manipular equipos e cateteres, bombas de infusão e demais dispositivos conectados ao paciente.


  • Biossegurança Hospitalar: Higienização Correta das Mãos de Acordo com a ANVISA

No geral podemos dividir em quatro categorias a higienização correta das mãos. São elas: Lavagem Simples, Fricção Alcoólica, Lavagem Anti-séptica e Lavagem Anti-séptica Cirúrgica. O foco principal da higienização das mãos é remover germes patogênicos para evitar a contaminação e a infecção cruzada entre os pacientes.

5 momentos para lavagem das mãos

No caso da Fricção Alcoólica basta repetir os mesmos 11 passos abaixo, a diferença é que não serão utilizados nem água e nem sabão. Você utilizará apenas Álcool a 70% em gel, ou líquido. Assista o vídeo abaixo e depois leia os onze passos preconizados pela ANVISA.

Confira Agora em 11 Passos para Higienização Correta das Mãos:
  1. Abrir a torneira e molhar as mãos, evitando encostar-se à pia.
  2. Aplicar na palma da mão quantidade suficiente de sabonete líquido para cobrir toda a superfície das mãos (seguir a quantidade recomendada pelo fabricante).
  3. Ensaboar as palmas das mãos, friccionando-as entre si.
  4. Esfregar a palma da mão direita contra o dorso da mão esquerda, entrelaçando os dedos, e vice-versa.
  5. Entrelaçar os dedos e friccionar os espaços interdigitais.
  6. Esfregar o dorso dos dedos de uma mão com a palma da mão oposta, segurando os dedos, com movimento de vai-e-vem, e vice-versa.
  7. Esfregar o polegar direito com o auxílio da palma da mão esquerda, realizando movimento circular, e vice-versa.
  8. Friccionar as polpas digitais e as unhas da mão esquerda contra a palma da mão direita, fechada em concha, fazendo movimento circular, e vice-versa.
  9. Esfregar o punho esquerdo com o auxílio da palma da mão direita, realizando movimento circular, e vice-versa.
  10. Enxaguar as mãos, retirando os resíduos de sabonete. Evitar contato direto das mãos ensaboadas com a torneira.
  11. Secar as mãos com papel toalha descartável, iniciando pelas mãos e seguindo pelos punhos. No caso de torneiras com contato manual para fechamento, sempre utilizar papel toalha.

Já para a Lavagem Anti-Séptica Cirúrgica Confira os 06 Passos a seguir e Assista o Vídeo Explicativo Também:

  1. Abrir a torneira e molhar as mãos, os antebraços e os cotovelos.
  2. Recolher, com as mãos em concha, o antiséptico e espalhar nas mãos, antebraços e cotovelos. No caso de escova impregnada com anti-séptico, pressionar a parte impregnada da esponja contra a pele e espalhar por todas as partes das mãos, antebraços e cotovelos.
  3. Limpar sob as unhas com as cerdas da escova.
  4. Friccionar as mãos, observando os espaços interdigitais e os antebraços, por no mínimo três a cinco minutos, mantendo as mãos acima dos cotovelos.
  5. Enxaguar as mãos em água corrente, no sentido das mãos para os cotovelos, retirando todo o resíduo do produto. Fechar a torneira com o cotovelo, joelho ou pés, se a torneira não possuir fotossensor.
  6. Enxugar as mãos em toalhas ou compressas estéreis, com movimentos compressivos, iniciando pelas mãos e seguindo pelos antebraços e cotovelos, atentando para utilizar as diferentes dobras da toalha/compressa para regiões distintas.

  • Biossegurança Hospitalar: Quais os Tipos de Isolamentos Hospitalares? 

De acordo com a ANVISA são preconizados os seguintes tipos de isolamento ou precaução. A saber, precaução padrão, isolamento por aerossóis ou respiratório, isolamento por gotículas, isolamento de contato, isolamento reverso e isolamento total.

Cada um dos tipos de isolamentos hospitalares vão variar de acordo com o risco inerente de contaminação e infecção de cada germe patogênico. O profissional de saúde deve atentar-se para o uso específico de EPIs, condições diferenciadas para a higienização das mãos e condições especiais relacionadas ao quarto/leito do paciente.

biossegurança hospitalar 03


  • Biossegurança Hospitalar: Precaução Padrão

Conjunto de medidas aplicadas no atendimento de TODOS os pacientes. Devem ser utilizadas quando houver risco de contaminação com sangue ou qualquer outro fluido corporal. Principalmente, risco de contato com:

– Material biológico;

– Pele não íntegra;

– Mucosas;

– Manipulação de equipamentos e artigos contaminados.

Lembrar sempre de manusear com cuidado os artigos sujos de sangue ou outro fluído corpóreo para evitar a disseminação. Se houver a sua reutilização entre diferentes pacientes deve ser realizado limpeza / desinfecção ou esterilização.

Em relação ao ambiente hospitalar, lembrar de estabelecer e garantir procedimentos de rotina para a limpeza e desinfecção das superfícies ambientais, especialmente na presença de matéria orgânica extravasadas.

Em relação à rouparia, manipular, transportar e processar as roupas usadas prevenindo a exposição da pele, mucosas e roupas pessoais. Manipular com o mínimo de agitação possível e utilizar hampers específicos.

Tomar cuidado sempre ao lidar com material perfuro cortante. Descarte adequado em caixas rígidas de papelão. Não ultrapassar o limite de preenchimento da mesma. E montar as caixas conforme a instrução do fabricante.

precaução padrão anvisa

  • Biossegurança Hospitalar: Isolamento para Aerossóis ou Respiratório

Características da Precaução por Aerossol:

– Partículas pequenas: < 5 µm

– Disseminam-se por vários metros até outros quartos (corrente de ar)

– Mantém-se suspensas no ar por horas

Ex: Tuberculose, Sarampo, Varicela e Herpes Zoster disseminado ou localizado em imunodeprimido.

Cuidados com a Máscara N95:

– Colocar a máscara antes de entrar no quarto e retirá-la após sair e fechar a porta;

– Verificar se a mascara está perfeitamente ajustada à face e com boa vedação;

– A máscara é de uso individual e a durabilidade depende da frequência de uso e do acondicionamento adequado;

– Descartar a máscara quando apresentar sujidade visível ou a cada plantão.

Precaução para aerossois

  • Biossegurança Hospitalar: Isolamento por Gotículas

Características da Precaução por Gotículas:

– Partículas grandes: > 5 µm

– Não atravessam longas distâncias Limite: 1 m

– Não se mantém suspensas no ar

Ex: Coqueluche, caxumba, rubéola, meningite por Haemophilus influenzae e Neisseria meningitidis, Menigococcemia.

precauções para gotículas

  • Biossegurança Hospitalar: Isolamento de Contato

Indicado quando há colonização / infecção (suspeita ou confirmada) de microrganismos epidemiologicamente importantes, passíveis de transmissão por contato direto ou indireto. Principalmente, quando refere-se à microrganismos multi resistentes.

Os principais cuidados relativos à precaução de contato são:

– Quarto privativo (preferência) ou coorte com a mesma doença ou microrganismo.

– Higiene das mãos e Uso de anti-séptico.

– Luvas quando houver qualquer contato com o paciente e equipamentos/superfícies próximas. Trocar luvas após contato com área ou material infectante. Devem ser calçadas dentro do quarto e desprezadas ao término do cuidado. Após retirar as luvas lavar as mãos com anti-séptico.

– Avental, usá-lo ao entrar no quarto, quando se prevê um contato direto com o paciente. Retirá-lo antes de deixar o quarto/box do paciente. Assegurar que as roupas pessoais não entrem em contato com superfícies ambientais potencialmente contaminadas.

– Equipamentos de cuidado ao paciente exclusivos sempre que possível, caso contrário devem ser limpos e desinfetados entre pacientes.

– Ambiente: Superfícies ambientais: limpeza diária e desinfecção com álcool 70% a cada plantão.

– Visitas: Restritas, reduzidas e orientadas.

– Transporte do paciente: Limitado. O profissional que transportar o paciente deve utilizar as precauções padrão, realizar desinfecção das superfícies após uso pelo paciente.

isolamento por contato

  • Biossegurança Hospitalar: Isolamento Reverso

Este isolamento é estabelecido para proteger de contaminação e/ou infecções um indivíduo imuno comprometido. Deve-se atentar para Materiais de uso exclusivo, Quarto privado, Luvas de procedimentos, Máscara comum e Avental de manga longa. Será instituído principalmente em pacientes imunodeprimidos e neutropênicos, a fim de garantir a proteção do paciente contra infecções.

  • Biossegurança Hospitalar: Isolamento Total

Este tipo de isolamento é indicado quando há riscos para o paciente e pessoas que irão entrar em contato com o mesmo, e vice-versa (incluindo profissionais de saúde, acompanhantes e visitas). Neste caso, deve-se adotar todas as medidas profiláticas descritas para os isolamentos de contato, aerossóis e reverso, além das precauções padrão.

  • Referências Bibliográficas

Manual sobre Biossegurança em Saúde: Prioridades e Estratégias de Ação, Ministério da Saúde, 2010 – Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/biosseguranca_saude_prioridades_estrategicas_acao.pdf Acesso em 29/10/2018 as 11:05

Protocolo Unidade de Vigilância em Saúde e Qualidade Hospitalar 09/2017 – Precauções e Isolamento Versão 1.0 – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh, 2017. – Disponível em http://www.ebserh.gov.br/documents/147715/0/Precau%2B%C2%BA%2B%C3%81es+e+isolamento+8.pdf/d40238e5-0200-4f71-8ae3-9641f2dc7c82 Acesso em 02/11/2018 as 13:00

Manual sobre Segurança do Paciente em Serviços de Saúde – Higienização das mãos, Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, 2009 – Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/seguranca_paciente_servicos_saude_higienizacao_maos.pdf Acesso em 02/11/2018 as 13:31

SCIH Hospital Albert Einstein – Precaução e Isolamento – Enfª Cláudia Vallone Silva et al – 12 de maio de 2016. Disponível em: http://portal.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/infeccao-hospitalar/aulas/2016_13simposio_ih_claudia.pdf Acesso em: 20/11/2018 as 11:15

Universidade Federal do Triângulo Mineiro Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Guideline for Isolation, Precautions in Hospitals, CDC 2007. Enf ª Eva Claudia et al. Disponível em: http://www.ebserh.gov.br/documents/147715/393018/aula_isolamento_-_ccih_[Modo_de_Compatibilidade]_SEEENF26112014.pdf Acesso em: 22/11/2018 as 10:00


“SENHOR, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus. Tu reduzes o homem à destruição; e dizes: Tornai-vos, filhos dos homens. Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite. Tu os levas como uma corrente de água; são como um sono; de manhã são como a erva que cresce.
De madrugada floresce e cresce; à tarde corta-se e seca.” Salmos Capítulo 90, Versículo 01 ao 06


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Biossegurança Hospitalar no Manejo de Pacientes, Uso e Descarte Correto dos EPIs, Conheça os Diferentes Tipos de Isolamento, A Correta Higienização das Mãos
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